
Sempre tomava vitamina de banana pela manhã. Seu pai nunca a deixou ficar sem comer cereais, poderia fazer mal para digestão. Era a primeira aluna da escola e seu quarto era o aconchego mais importante de sua casa, coberto de revistinhas da turma da Mônica e enciclopédias de geografia... Aos 12 anos de idade começou a se pintar para ir a escola...Pintar era sua arte... Sempre gostou de arte... Começou a grafitar... como seus desenhos eram fantásticos... Deu seu primeiro beijo e se apaixonou... Na verdade, sempre viveu vários amores intensos desde sua adolecencia...
Levava bronca do pai ao chegar mais tarde em casa, mesmo acompanhada de sua tia maior... Ela e carolina ( que não era sua tia ) curtiam uma vida tamanha de sonhos e juventude ... Sonhos dourados, que se tornaram cinza até o dia que fez uma viajem... E por ter levado uma surra do pai na noite anterior (principalmente moral), reaveu toda sua historia vivida... Sentou- se em frente ao mar, dialogou com ele e decidiu acabar com tudo e começar a viver novamente...Me lembro bem que aos 13 anos seu maior desejo era ter um apartamento...
Ao observar tais pensamentos imaginava: ...Viver novamente? ...Ter um apartamento?... Surra moral?... Não entendia o motivo das pessoas dizerem que eu era nova demais e tinha muita vida pela frente...
Como eu também tinha sua idade.... Por que em mim não despertava a mesma vontade?... me achava diferente perante a ela... Mas já que vivi intensamente cada fase de minha vida, me desliguei e segui meus caminhos naturalmente...
Nunca mais a vi... quer dizer, via sim... Mas era diferente, como se não estivesse ali... Foram poucas vezes em nossas reuniões de família...
Aquela enorme galinhada com pequi, karaoke e muito samba... Olhava para o lado e lá estava a menina e a mulher ( menina e mulher, pq a via sempre em suas principais etapas ) com seu caderno de historia e seus livros na mão. Com olhos sempre caídos, sua distração era dormir... Ao acordar era estudar...Chamava para brincar de porta bandeira, dar uma volta no quarteirão e comer um sanduíche na lanchonete badalada do bairro... mas esse programa era cansativo e preguiçoso... Chamei para conversar... Opus! Conversar não... tinha receio de falar com ela... Era profunda demais... medo de vacilar, poderia magoa la. Afinal, sempre me passou algo egocêntrico, não era de muitas palavras...
O tempo foi passando, e sempre tive noticias dela... Descobri que teve uma profunda depressão já em sua fase adulta... Ela achava o mundo muito lindo, mas não conseguia encontrar a forma de viver nele... Virou ateu, budista, ateu novamente... teve varias desilusões de amor... montou uma banda de rock para descarregar seu coração pesado... e se formou como a primeira aluna da universidade de Brasília...
Seu pai com mais de 50 anos de idade se tornava a cada dia inexperiente demais para a vida que ela queria ter vivido.... sonhos, fantasias, revistas capricho, barrados no baile, romances de novela... Por falar nisso... amor proibido foi a única coisa que conseguiu viver como nas novelas... Aos 25 anos, não poderia ter um grande amor... Para seu pai, só se sentava a mesa para jantar com alianças de noivado no dedo... Mas em seu ser abstrato o grande amor sempre esteve presente... Ninguém pôde impedir...
Ao desenhar seus grafites, que com o tempo se tornaram obras de arte, pintava nelas a vontade de se libertar... Mas ao tentar, enxergava o imenso abrigo de seu quarto, de sua casa , de seu pai.... Como se a liberdade encolhesse suas mãos, quando quisesse alcançar... Queria, mas não conseguia...
E sua vida continua.. em seus livros, sua banda de rock e seus grafites... uma vida contada, cantada e pincelada... e seu "Eu" não era mais importante do que a nota máxima de português, nem a melhor monografia, quanto menos a coragem de ser o que sempre quis...
Levava bronca do pai ao chegar mais tarde em casa, mesmo acompanhada de sua tia maior... Ela e carolina ( que não era sua tia ) curtiam uma vida tamanha de sonhos e juventude ... Sonhos dourados, que se tornaram cinza até o dia que fez uma viajem... E por ter levado uma surra do pai na noite anterior (principalmente moral), reaveu toda sua historia vivida... Sentou- se em frente ao mar, dialogou com ele e decidiu acabar com tudo e começar a viver novamente...Me lembro bem que aos 13 anos seu maior desejo era ter um apartamento...
Ao observar tais pensamentos imaginava: ...Viver novamente? ...Ter um apartamento?... Surra moral?... Não entendia o motivo das pessoas dizerem que eu era nova demais e tinha muita vida pela frente...
Como eu também tinha sua idade.... Por que em mim não despertava a mesma vontade?... me achava diferente perante a ela... Mas já que vivi intensamente cada fase de minha vida, me desliguei e segui meus caminhos naturalmente...
Nunca mais a vi... quer dizer, via sim... Mas era diferente, como se não estivesse ali... Foram poucas vezes em nossas reuniões de família...
Aquela enorme galinhada com pequi, karaoke e muito samba... Olhava para o lado e lá estava a menina e a mulher ( menina e mulher, pq a via sempre em suas principais etapas ) com seu caderno de historia e seus livros na mão. Com olhos sempre caídos, sua distração era dormir... Ao acordar era estudar...Chamava para brincar de porta bandeira, dar uma volta no quarteirão e comer um sanduíche na lanchonete badalada do bairro... mas esse programa era cansativo e preguiçoso... Chamei para conversar... Opus! Conversar não... tinha receio de falar com ela... Era profunda demais... medo de vacilar, poderia magoa la. Afinal, sempre me passou algo egocêntrico, não era de muitas palavras...
O tempo foi passando, e sempre tive noticias dela... Descobri que teve uma profunda depressão já em sua fase adulta... Ela achava o mundo muito lindo, mas não conseguia encontrar a forma de viver nele... Virou ateu, budista, ateu novamente... teve varias desilusões de amor... montou uma banda de rock para descarregar seu coração pesado... e se formou como a primeira aluna da universidade de Brasília...
Seu pai com mais de 50 anos de idade se tornava a cada dia inexperiente demais para a vida que ela queria ter vivido.... sonhos, fantasias, revistas capricho, barrados no baile, romances de novela... Por falar nisso... amor proibido foi a única coisa que conseguiu viver como nas novelas... Aos 25 anos, não poderia ter um grande amor... Para seu pai, só se sentava a mesa para jantar com alianças de noivado no dedo... Mas em seu ser abstrato o grande amor sempre esteve presente... Ninguém pôde impedir...
Ao desenhar seus grafites, que com o tempo se tornaram obras de arte, pintava nelas a vontade de se libertar... Mas ao tentar, enxergava o imenso abrigo de seu quarto, de sua casa , de seu pai.... Como se a liberdade encolhesse suas mãos, quando quisesse alcançar... Queria, mas não conseguia...
E sua vida continua.. em seus livros, sua banda de rock e seus grafites... uma vida contada, cantada e pincelada... e seu "Eu" não era mais importante do que a nota máxima de português, nem a melhor monografia, quanto menos a coragem de ser o que sempre quis...
Pássaro Ermo

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