quarta-feira

Minha rua, meu quintal




Novamente comovida com a destruição de ruas, casas e sonhos dessa vez em Minas Gerais.

Estava lendo alguns contos infantis de James Misse, e resolvi postar minha tristeza com o que ando vendo nos jornais, dessa vez de uma forma singela, simples e infantil. Minha revolta nao se encontra mais. Apenas o conformado obrigatório de meu ser.

Minha rua ,meu quintal

Minha rua
era tão minha
em sua simplicidade
Não sei de onde vinha,
Mas ia para a cidade
Com suas pedras redondas
e duas magras calçadas
não tinha praia, nem ondas,
mas como tinha enxurradas!
Ali cresci, me fiz mulher
e a minha rua – coitada!
Mais uma manhã se instalou
e tudo se foi sem querer nada
Guardarei e porei na lembrança
aquela rua em que fui criança,
a rua que foi tão minha
e agora caminha
não pela cidade
mas em rumos incertos
arrastando concretos.
Hoje quero meu quintal
Quintal de minha infância.
Quero balançar
No pé de jatobá.
Quero uma brincadeira gostosa
Uma cantiga, uma história.
Não quero preocupar
que levaram minha cama, minha árvore, meu lar.
Quero ler menos jornais.
Quero enfim,
Sonhar mais pardais.

Pássaro Ermo

quinta-feira

O ermo do pássaro aliviado



Pássaro ao encontrar a plenitude...

Assim segui meus instintos
sobrevoei em destinos
Pousei em abrigos
Abrigos que não quis repousar...
Me tiraram o sono, anularam em meu corpo o maior desejo de amar...

Desejo nulo
Cartão vermelho para nós
O jogo acabou,
O choro cessou
A canção voltou

Canto agora...
Cantos de felicidade
Contos de verdade
A realidade existe
Insiste...
Me enganei ao dizer que ela é triste

Sobrevoar sobre planos que não fui
Descoberta...
Voar...
Rumo a realidade discreta
Repousar...
Em margens concretas

Pássaro libertado
Das correntes do abstracto
Asas na grandeza
Lastimando a leveza
Do homicídio interno
Duplo e "doloroso"
Em mim fostes
E minha amiga saudade levastes

Senti atraído por mim mesma
E voltei...
Mundo "eu"
Aqui é minha casa
A casa onde eu sempre morei.


Pássaro Ermo Aliviado

quarta-feira

Devaneios e violão


Chegou no despertar de uma tristeza...
Um amigo os apresentou. Não fisicamente, mas com um simples folheto de uma escola de musica. Através de uma suposta solidão, buscou a canção para descansar o coração adoecido.

Era uma noite quente, tomou um banho cantarolado e ao afugentar o calor, se sentiu sã. Apanhou seu violão e partiu na necessidade de aprender mais sobre o instrumento . Matriculou - se na tal escola e passou a ter uma companhia musical. Não precisava de muita coisa, apenas força de vontade e um violão.
Entre notas, acordes e um bom papo, despertava o desejo de sempre retornar. A junção de seus dedos estremecidos entre as cordas, ecoava um som arranhado( amadores meia boca de violão é desse jeito.) Mas só quem estava naquela sala, conseguia ouvir a perfeita harmonia de suas melodias tocadas. Ele não sabia que nascia uma paixão. Paixão pelo instrumento talvez, mas a admiração pelo seu mestre nascera ali.

O respeito e a timidez encerrava qualquer aproximação. Até mesmo ao ensinar a prática do acorde ( quem toca sabe , iniciante precisa que alguém pegue seus dedos e coloque no acorde certo) . Ao sair dali, seguia para casa e ensaiava tudo o que aprendia. E quando voltava, mostrava cheia de orgulho o q havia conseguido.

A música tornava mais presente e virou assuntos de várias conversas.
A batida A, B ou C, começaram a tomar formas em seu violão. E nessa empolgação de cordas, notas e melodias se apaixonaram e fizeram uma linda trilha sonora juntos. Não havia distinção de gêneros. Conseguia fazer estranhamente um canto virar dores gostosas de estômago, insônia, ausência de fome e um sorriso padecido no rosto.

A perdição dos sentimentos nunca se residia, e perambulavam como um boêmio apaixonado. Ao se ver, contemplavam seus maiores desejos apenas com a presença consentida. Até o silencio manifestado entoava aperjos melódicos. Foi quando essa paixão perdida começou a tomar rumos. Aí o violão desafinou, o ruído musical de suas respirações e a batida sonora transcendente do coração abafaram .E seus dedos dedilhavam fúnebres sons.

As dificuldades da vida interromperam essa história, mas não conseguiram arrancar a maior lembrança... O violão... Estará sempre presente, a musica será a maior recordação.

E hoje a vontade é de não escuta la, mas é tão viva quanto o lindo sentimento escondido e triste, guardado em seus coraçoes.


Pássaro Ermo