quarta-feira

Devaneios e violão


Chegou no despertar de uma tristeza...
Um amigo os apresentou. Não fisicamente, mas com um simples folheto de uma escola de musica. Através de uma suposta solidão, buscou a canção para descansar o coração adoecido.

Era uma noite quente, tomou um banho cantarolado e ao afugentar o calor, se sentiu sã. Apanhou seu violão e partiu na necessidade de aprender mais sobre o instrumento . Matriculou - se na tal escola e passou a ter uma companhia musical. Não precisava de muita coisa, apenas força de vontade e um violão.
Entre notas, acordes e um bom papo, despertava o desejo de sempre retornar. A junção de seus dedos estremecidos entre as cordas, ecoava um som arranhado( amadores meia boca de violão é desse jeito.) Mas só quem estava naquela sala, conseguia ouvir a perfeita harmonia de suas melodias tocadas. Ele não sabia que nascia uma paixão. Paixão pelo instrumento talvez, mas a admiração pelo seu mestre nascera ali.

O respeito e a timidez encerrava qualquer aproximação. Até mesmo ao ensinar a prática do acorde ( quem toca sabe , iniciante precisa que alguém pegue seus dedos e coloque no acorde certo) . Ao sair dali, seguia para casa e ensaiava tudo o que aprendia. E quando voltava, mostrava cheia de orgulho o q havia conseguido.

A música tornava mais presente e virou assuntos de várias conversas.
A batida A, B ou C, começaram a tomar formas em seu violão. E nessa empolgação de cordas, notas e melodias se apaixonaram e fizeram uma linda trilha sonora juntos. Não havia distinção de gêneros. Conseguia fazer estranhamente um canto virar dores gostosas de estômago, insônia, ausência de fome e um sorriso padecido no rosto.

A perdição dos sentimentos nunca se residia, e perambulavam como um boêmio apaixonado. Ao se ver, contemplavam seus maiores desejos apenas com a presença consentida. Até o silencio manifestado entoava aperjos melódicos. Foi quando essa paixão perdida começou a tomar rumos. Aí o violão desafinou, o ruído musical de suas respirações e a batida sonora transcendente do coração abafaram .E seus dedos dedilhavam fúnebres sons.

As dificuldades da vida interromperam essa história, mas não conseguiram arrancar a maior lembrança... O violão... Estará sempre presente, a musica será a maior recordação.

E hoje a vontade é de não escuta la, mas é tão viva quanto o lindo sentimento escondido e triste, guardado em seus coraçoes.


Pássaro Ermo

7 comentários:

Anônimo disse...

Mandou muito bem

Anônimo disse...

Você e suas histórias com final triste. Achei bonita, mas meio vaga. Conte me mais. O que fizeram com os personagens para se afastarem?

Beijos! Amo te ler.

Anônimo disse...

...... Triste mesmo

Fernanda Matos disse...

Banho cantarolado...
Lindo...

Pássaro Ermo disse...

Anônimo,

Obrigada!


Sol,

Todas as histórias que conto são reais, e as que me traz inspiração para postar realmente tem algo melancólico...rs... estranho ne? Sobre o texto, vc disse tudo... Uma história de amor linda porém vaga, sem rumos, sem destinos... Talvez esse foi o motivo do rompimento dos personagens...
Obrigada por estar presente. Fico feliz por se interessar e "amar me ler"... Volte sempre!!


Karina,

E como é triste...



Fernanda,

Tenho ceretza que já teve o prazer de tomar banhos cantarolados... É o melhor que existe, exorcisa e lava a alma... Beijos ...

Anônimo disse...

Sei exatamente sobre as dificuldades vividas entre os personagens... Apesar do final provisório, sinto que eles tem uma forte ligação e que essa linda história não pode acabar de jeito tão vago ...Sei bem da saudade intensa que passam.. do sofrimento que é desejar e não ter... Sei o quanto cada um é especial para o outro... a representatividade mais fiel do inesperado..!!.... sonho real...
Espero q eles ainda possam se encontrar,,, se olhar sinceramente e dizer tudo q precisa ser dito.. Tudo q querem dizer... precisam aliviar o coração....

Pássaro Ermo disse...

Profeta,

"Meus sonhos são estrelas que semeio no espaço
São corpo nu que vagueia pela saudade
Brotam e correm para o Mar
Enfrentam a dor a tempestade"...

Consegues descrever o mais profundo "eu do Pássaro Ermo"...

Muito lindo!

Obrigada...
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Daniel,

Eu como criadora do texto não consegui ver um final feliz para essa linda história... Não conseguia postar nada. Apesar de também saber o quanto foram e são especiais um para o outro, e o quanto ainda se gostam... Quemm sabe consiga um dia postar algo alegre sobre os personagens... Preciso voltar a minha inspiraçao para eles, já que são meus preferidos ao escrever aqui... Mas hoje não consigo encontrar- la... Podes me dar uma dica para acalmar seus corações e voltar a escrever algo para o bem e o melhor dos dois... Mãos atadas!

Fiquei feliz ao comentar...

Beijos!