terça-feira

Ele parou, olhou, sorriu





Me deu um beijo

E não foi mais embora!


Sim!

Pássaro Ermo

sexta-feira

Já faz alguns anos


Já faz alguns poucos ou muitos anos
Anos que não sei contar
Anos que não sei esquecer
Anos passados, anos que foi
Sinto que faz aniversário
Porque a memória intensifica após 365 dias
Ou o dobro,ou o triplo
Sei que me aproximo a data em que te perdi
Me perdi...

Sinto uma ternura de paz.
E o vazio, a vida e a esperança preenche...
Vida na família, esperança do reencontro
No paraíso dos céus, como os momentos que nos permitiu.

Continue descansando em paz
Trazendo ela toda vez que penso em chorar por ti.
Sinta se beijado por mim na força das mais lindas lembranças
No brilho das ofuscantes estrelas.
Eterno e querido Junior.
Com amor,
Pássaro Ermo







quarta-feira

Muro e quebras




As noticias nunca são aprazíveis.
Sente falta quando perde, e o que tem nunca é mediano.
Droga de crise mundial, merdas de administradores do mundo.
Não pôde fazer sua viajem tão sonhada de Janeiro, nem comprou o carro quatro portas. O ar condicionado de sua caranga pifou, entra no forno e se decompõe no calor de 35 graus da cidade. Olha ao redor do mundo e pressente que os humanos usam escudos, acha que todos são bloqueados para amar verdadeiramente, como se ela nunca tivesse sido.
Frustrada...

Sente falta do que já tem. E tem falta do que sente. Escuta musicas deprê, e tenta gostar de funk para agradar as pessoas e dizer que é eclética. Sinceridade quando convém a ela e pessoas de convívio fraterno e amável, não consegue ser a própria o tempo todo. Se perde constantemente na desordem de seus pensamentos. Tenta perseverantemente esquecer o que sua mente ensilou, a alma então absorve. E isso gera sentimento de romantismo e melancolia para o mundo. Não tem religião porque sua independência não gosta de doutrinas, mas é temente e fiel a Deus. E as estatuetas indianas de seu quarto simbolizam apenas a beleza daquela arte, mas se perguntarem quem são aqueles deuses pedirá para pesquisar no Google.
Hipócrita...

Adora história do Brasil, e sempre pede a seu pai para narrar coisas vividas no governo ditador de sua época... presidência, exílios, artistas, musicas. Mas detesta discutir sobre Chico Buarque e Getulio Vargas na mesa dos gran pseudos intelectuais (falar disso é a coisa mais plena do mundo para eles, forçado e sem autenticidade ). Detesta quem impõe idéias a todo custo, diz que para eles a conquista de uma mente é mais um troféu de babaca. A não ser que o nerd tenha qualidade romântica, aquele que recita poesias de Carlos Drummond de Andrade e conversa sobre o mundo, canta sonetos de Vinícius de Moraes e tem o cheiro mais fantástico que já sentiu. Apesar de achar que quando é assim, vem acompanhado com um defeito judicioso de fábrica.
Romântica...

Desanima do ser facilmente quando mostra um lado que não apresentou, ( mas todo mundo tem dois lados ). Só que para ela, não é um prazer em conhecer, entristece, chora, magoa com a decepção. Isso a faz tornar contra toda expectativa e previsão das pessoas e do universo.
Pessimista...

Seus amigos precisam falar besteiras, mas quem disse que besteiras não é chulo? Repudia coisas chulas a não ser as besteiras que seus amigos falam.
Vive a vida como se o mundo acabasse, mas vive o mundo querendo não viver. Nele ingere apenas entes criadas pelo sobrenatural, ou natural, natureza. Briga com a lua de vez em sempre. É mais o dia, o sol, o claro. Mas entende que a solidão é negra. Por isso quando sai acompanhada da lua para tomar uma birita, exorciza, se diverte, mas volta quando a noite termina para não sentir o vazio dela. Acha bonito comprar verduras no supermercado. Apesar de saber que toda semana elas estragam na geladeira.
Fútil...

Abraça, beija, gosta de sexo, mas exige ser amada, diz que ama mas enxerga que apenas gosta na primeira decepção (quem nunca descobriu isso). Sente prazer do susto só porque adora respirar forte e suspirar leve, do frio para congelar seus movimentos e do álcool para libera los. Vive por sentir arrepios e emoções.
Intensa...

Entre tantas coisas que ela se julga, se aponta, se diz... Eu só observei uma, senti uma vibração linda e simples que nem percebe. O que mais encanta é quando canta, e no final de cada frase faz aquele barulhinho imitando exageradamente a voz do artista, toca bateria como ninguém (imaginária, fazendo os dedos de baqueta) , dança em passos ritimados de um embalando vez ou outra o quadril, levantando e descendo o pés lentamente ao chão ( um de cada vez ) naquela musica agitada ou lenta ( as RPMs de seus movimentos são iguais com qualquer balanço do som), imitando pernas de cambota e desconsertando a canção.
Desengonçada...
Mas é nessa hora que estabeleço sua verdade frustrada, hipócrita, romântica, pessimista, fútil, intensa e desengonçada (Ops!,desengonçada não) FELIZ. Faz- me acreditar mais nela. Faz acreditar mais em mim. Faz acreditar que dentro de todos existe um artista hilário, simples, contemporâneo (seja lá qual for) que nunca é perceptível, nunca é notado, mas que é preciso aparecer todos os dias, perceber que ele existe, e colocar mais em cena. Essa é a essência do sorriso escancarado para nós mesmos, da nossa rotina simples e alegre que nos esconde atrás da nossa lamentável e insistente autofirmação.


Pássaro Ermo

segunda-feira

Um pouco de calor





Saí à toa nessa madrugada
Sem saber porquê
A noite daqui é tão linda e me faz me perder
Penso num belo horizonte em poder te ver
Sei que eu não tenho mais nada a perder
Se eu não tenho mais nada a perder
No meu peito eu tenho você
É nessa estrada que eu quero estar
Eu quero o dia, a noite e o mar e cantar

Meu carro que não quer mais andar
Essa noite que não quer mais terminar
Onde está você meu amor?
Eu preciso de um pouco de calor

quinta-feira

terça-feira


Hoje seus braços deslaçam dos meus.
Levando as flores para cultivar.
Como se comigo fossem murchar.
Deixe pelo menos a lua.
Já que o sol não vai mais iluminar.

O vento leva você
Mais uma vez
Segure forte a minha mão
Socorro!
Vejo você pequeno, cada vez menor
Minha visão está comprimida
Distante.
Não vejo mais.
Não falo mais.
O eco de meus lentos passos falam e cantam para mim.
Sinto o som, não sinto você.
Mais uma vez.

Perdão!

Pássaro Ermo

domingo

Rascunhos



Às vezes tenho idéias felizes,

Idéias subitamente felizes, em idéias

E nas palavras em que naturalmente se despegam...

Depois de escrever, leio...

Por que escrevi isto?

Onde fui buscar isto?

De onde me veio isto?

Isto é melhor do que eu...

Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta?

Com que alguém escreve a valer o que nós traçamos aqui...
Pássaro Ermo